Por mais que queiramos acreditar que a transformação digital, Social Media, o
e-commerce e o tão falado Marketing Digital já fazem parte das nossas empresas e que
as PME já tiram proveito dos canais digitais (altamente mensuráveis), com provas de
retorno do investimento (ROI) - ao contrário dos meios tradicionais onde a origem exata
do retorno é tipicamente obscura - a realidade portuguesa , constituída por essas
mesmas pequenas e médias empresas, mostra-nos um cenário um pouco mais
“analógico”.
Nós, profissionais de marketing, temos alguma tendência para achar que as técnicas e
benefícios da comunicação digital estão devidamente difundidas nas nossas
empresas, sendo apenas necessária alguma maturação. No entanto, o quotidiano
empresarial pode não ser tão cor de rosa e alinhado com o nosso ponto de vista: somos
facilmente contaminados pela nossa actividade profissional, muito “digital” e ligada a
empresas que já sentem a necessidade e/ou compreendem os benefícios dessas
ações.
As novas gerações de Marketers e talentos do marketing digital - a designação “digital”
tenderá a diluir-se mas a clivagem ainda parece fazer sentido enquanto conceito que
espelha um conjunto abrangente de novas técnicas -, esbarram com muita frequência
numa série de velhos hábitos empresariais reveladores.
A necessidade de definição estrutural de estratégias de marketing (orientadoras e
coerentes) onde o digital se possa assumir como meio de potenciação do negócio, ainda
é muito pouco enraizada na nossa cultura empresarial.


Democratização estatística

Os dados orientam o seu caminho, acredite!
Nem o fácil acesso a dados sectoriais, “insights”, estatísticas e informação sistematizada,
brilhantemente democratizada cada vez mais por empresas que “monitorizam e
analisam” os consumidores digitais, como a Google, o Facebook e o Linkedin, entre
outras, parece ajudar como gostaríamos. A mudança de paradigma não acompanha a
velocidade estonteante das novidades, quase diárias, das ferramentas, tendências,
truques, dicas e boas práticas de otimização constantes que norteiam a actividade dos
profissionais de marketing mais experientes destes cenários e que têm cada vez mais a
performance como guia dos resultados do seu trabalho.


Integração 360º e polivalência técnica

Integração da criatividade, sensibilidade e DATA
Para os apaixonados por dados, cada vez mais importantes em Marketing (Data Driven
Marketing) o acesso - em muitos casos sem custo ou a custos reduzidos - a plataformas
de gestão de publicidade, ferramentas de monitorização ou análise de concorrência,
testes A/B, construtores de audiências e até soluções de Machine Learning e
Inteligência Artificial é cada vez mais usual.
Ainda assim, esta mesma acessibilidade causa outro tipo de constrangimento: a
necessidade contínua, diária, de atualizações e formação altamente especializada em
tendências e ferramentas, a que muitas empresas não podem recorrer, a não ser por
vontade de aprendizagem constante dos próprios colaboradores.


Dimensão ou Mentalidade?

É mais um problema de formação do que dimensão.
Embora a afirmação anterior seja fundamentalmente verdade - a dimensão e os custos
da formação especializada em Marketing e ferramentas de Marketing não está ao
alcance de uma parte significativa do nosso tecido empresarial - também é verdade que
mesmo em grupos empresariais com dimensão, há marketing a duas velocidades: a que
tenta acompanhar as ferramentas e as tendências e a velha guarda dos hábitos pouco
ou nada estratégicos, que sofrem ainda mais com a fragmentação dos canais digitais.


Estratégias adequadas à sua dimensão

Definir a estratégia deve ser o primeiro passo para o sucesso.
A definição de uma estratégia é, até para as empresas de menor dimensão, o passo
fundamental para o sucesso posterior. E não é necessário, rigorosamente falando, que a
estratégia seja densa, complexa e difícil de implementar. É apenas necessário que ela
se adeque à dimensão do negócio, à sua tipologia de clientes ideais , do âmbito
geográfico de atuação da empresa, e que fundamentalmente, resolva um problema ao
seu cliente típico. Como alguém brilhantemente disse, “não compramos produtos,
compramos soluções”.
Se um talho, canalizador ou restaurante (sim, são empresas que tipicamente
beneficiam das novas ferramentas e comportamentos de consumo e uso de “mobile”)
pode beneficiar com uma presença forte no Google My Business e com uma estratégia
de “anúncios locais” baseados em intenções fortes de localização e sinais intenção de
compra, fará sentido começar com um website, cujo planeamento é mais denso e o
retorno poderá estar mais distante?


9 Dicas para negócios locais ou empresas (mesmo pequenas)

Príncipios básicos para dinamização do seu marketing
1. É mais fácil dominar um nicho que um país; comece por pensar na sua vizinhança.
O esforço de captação e domínio de uma zona restrita, adjacente ao seu negócio, é
menor e com potencial de recuperação do retorno mais imediato.
2. Os consumidores acreditam nos reviews dos outros: servi-los bem, é marketing de topo.
Se o seu foco for verdadeiro no seu cliente, ele será o seu embaixador. Peça aos seus
clientes para avaliarem o seu negócio nas redes sociais. Mais se seguirão!
3. Os custos de campanhas de “marketing local” são perfeitamente suportáveis por si
Há investimentos em campanhas pagas perfeitamente enquadrados, mesmo em
negócios de “esquina”. Tente captar apenas os clientes que lhe são adequados.
4. Comece pequeno, focado, e vá alargando a sua pegada digital à sua medida.
Uma das características mais interessantes do Marketing Digital é poder medir, afinar e
melhorar o desempenho de campanhas e ações, mesmo de baixo custo.
5. Defina uma parte - por pequena que seja - da sua faturação para marketing
Se não investe, não aparece; quem não aparece não existe. E os consumidores não fazem
compras a quem não está no mapa, literalmente.
6. Acredite que os motores de busca são os seus melhores amigos e dos seus clientes
Uma percentagem esmagadora das compras começa numa simples pesquisa. Se ainda
não está nos motores de busca ou não aparece, trate disso de forma prioritária.
7. Telemóveis em toda a parte? Sim, os seus clientes também os usam e muito!
Se não estão - de alguma forma - no ecrã dos telemóveis dos seus clientes, está a perder
um dos canais de marketing mais eficazes e omnipresentes da actualidade.
8. Não comece um site sem ter um objetivo claro, específico, mensurável, definido.
Sou apologista, convivo e desenvolvo websites há dezenas de anos. Mas simplificar a sua
complexidade é um erro fatal, dos maiores em Portugal.
9. Não considere o marketing um custo. Seja exigente a medir, mas pense em investimento.
Se ainda não investe - seja quanto for - em Marketing, outros estão a ocupar o seu
espaço, no seu sector, no coração e na mente dos seus potenciais clientes.
10. Qual é o benefício real dos produtos da sua empresa e que problemas resolve?
Poderá ser das mais simples questões do mundo, mas é certamente a que tenho visto a
ser respondida com menor clareza, ou então, a não ser puramente considerada na
construção de mensagens, anúncios, websites, landing pages, etc.


António Castro
Consultor de Marketing Especializado em Digital Content. Adwords. SEO. Inbound
antoniocastro.pt